Bangüê – Entidade Cultural Beneficente

O Território 

O território de Terra Nova, nos fins do século XIX e início do século XX, era composto de várias fazendas. Para obter informações sobre os fatos do passado, etc foram utilizadas buscas em Arquivos Públicos, livros, entrevistas com parentes ou mesmo com pessoas mais velhas que vivenciaram ou registraram nas suas memórias dados que lhes foram passados por outros habitantes mais velhos.

Foi mais ou menos assim com o senhor Antídio Roque, um terranovense nascido em 1915, que nos forneceu alguns dados:
“Terra Nova tinha uma forma de ovo, onde o seu centro representava a gema.

Na clara ficavam as fazendas de propriedade da família dos Pacheco (fazenda Periperí, Caraconha e outras) que passavam por Terra Nova Velha, Brito, Carapiá, São Caetano,(rumo com Aramaré), Periperí Caraconha, subia o morro contornando pelo cemitério, descendo pelo fim do Dornel, atravessando o Pojuca, fechando o circuito pelo Caipe de Dentro, Brejo Grande próximo de Paranaguá
No centro (gema do ovo) ficavam fazendas menores pertencentes às famílias Paiva, da qual a professora Lulu pertencia, e a fazenda de dona Joaninha.
A fazenda dos Paiva Luna começava em Caraconha, próximo a Rua do Quadro, margeando o morro próximo ao cemitério, descendo em linha reta até a margem de Pojuca.
A fazenda de dona Joaninha era uma nesga de terra entre os Paiva e os Pacheco afunilando para o Pojuca passando pelo Barracão (Dornel).”

Em entrevista concedida ao Bangüê em 2004, o Sr. Mario Silva, filho do administrador de Campo Sr. José Matias: “Tenho 82 anos dos quais 62 aqui em Terra Nova… As máquinas de S. Bento vinham pegar lenha ali em cima, ali era uma mata” disse apontando, de sua residência em Caraconha, para o alto do morro na altura do Megashow, “…ali tinha um Ramal Ferroviário da Usina, donde tirava também lastro”
Dessa forma, também, se expressou o Sr. Antídio Roque “…por divisão de herança, a parte da fazenda dos Pacheco em Caraconha ficou com uma filha da família que vendeu ao proprietário da Usina São Bento Dr.Rocha Lima.”
Ainda vivem em Terra Nova e foram fonte de informações de vários trabalhados realizados pelo Espaço Bangüê : Antonio Moreira (Paradorá); Mario Silva (Mario Pinga); Antídio Roque, todos nascidos nos meados da segunda década de 1900 e que trabalharam na Usina.
Foram deles informações sobre fatos convividos ou repassados por terceiro mais velhos: “O Rio Pojuca teve seu curso desviado na construção da ferrovia para que passasse pelo local onde é a Ponte, pois só ali os engenheiros responsáveis pela construção encontraram um terreno firme, confiável para assentar os alicerces para uma ponte. Antes, o rio passava, numa visão de hoje, passava entre a própria Ponte e onde foi a Usina… Tinha uma rua chamada Rua da Palha, chamada assim por serem as casas cobertas com palha. Ficava por trás da rua subindo a Igreja, ali passava um ramal ferroviário, onde se tirava lastro. Em Caraconha tinha dois ramais ferroviários que margeavam o morro”.
Outra informação digna de registro é sobre a Rua da Quinta Feira: ” A Rua da Quinta Feira tem esse nome, porque a direção da Usina resolveu dar mais um dia de folga aos operários, pois passava por problemas financeiros.O dia escolhido foi quinta feira. Nesse dia os operários aproveitaram o dia de folga para, em mutirã,o construírem suas casas, no local passou a se chamar Rua da Quinta Feira”.

Escrito por Viraldo B. Ribeiro
Ter, 12 de Janeiro de 2010 10:32

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