AÇÃO SOCIAL

Escrito por Viraldo B. Ribeiro
Seg, 20 de Abril de 2009 14:41

07- O DesenvolvimentoBangüê é uma peça de madeira que tem a forma de um agá maiúsculo deitado. Para utilizá-lo são necessárias duas pessoas que seguram as duas pernas paralelas do “H”. O objeto conduzido fica apoiado no pequeno lastro que une os caibros paralelos.
A inspiração para o nome dessa pequenina página, não decorre do “H”, mas carece também de mais de uma pessoa para fazerem o papel de transporte.
O Bangüê que dá nome ao jornal vem de engenho, engenhoca; uma forma de engenho bem rudimentar, primitiva.
“Todavia fumegava ainda os bueiros do velho engenho. Já era porém uma moagem arrastada, de lucros pequenos, quando havia numa zona em que um a um os bangüês vizinhos iam ficando de fogo morto”.História de um Engenho do Recôncavo – Wanderlei Pinho pág. 511
“Padiola usada no transporte de material de construção para o canteiro de obra”. Esta definição (de dicionários) é conhecida ainda hoje na região, como também a sua aplicação.
Foi também usado para o transporte de cadáveres escravos e bagaço verde da cana para o bagaceiro ou bagaceira – significado de dicionário.
“Mas o bangüê não podia ressuscitar. Outros tempos, outras condições, outro mundo! Nem mais a moenda, máquinas, tachas, metais fundidos em obuses da grande guerra, e na corrida de altos preços de ferros velhos que em 1914-1918, limpou o Recôncavo desses vestígios de suas primitivas fábricas”.História de um Engenho do Recôncavo – W. Pinho pág. 518
A acima representa uma moenda de três tambores verticais. Reconstrução de uma moenda movida por bois no Engenho Freguesia, no Recôncavo. – Retirada do livro Segredos Internos de Stuart B. Schwartz pág 117.Visitando Cabôto, distrito de Candeias Bangüê fotografou a mesma moenda, já em ruínas, que figura na página número 2.
Para quem viveu a época das usinas; quem apreciou a ranger dos rodeiros dos carros de boi em Terra Nova, poderia até ouvir os sons daquele bangüê de fogo morto, movido por bois; poderia imaginar alegria até mesmo dos escravos, no início da moagem – no dia da botada.
“Botou o engenho a moer. Com estas palavras era registrado o grande acontecimento do ano, o inicio da safra.” ….” No dia marcado, o pároco, ou capelão, residente rezava a missa, abençoando o engenho, na presença do proprietário e sua família…” “No local da moenda, escravos e homens livres reuniam-se para ouvir as preces”…. “mais tarde havia um banquete na casa –grande, e os escravos eram presenteados com garapas” Segredos Internos – Stuart B Schwartz pág 96
O primeiro engenho do Recôncavo se localizou em Paripe, na vigência das Capitanias. “…. as terras de Paripe, Matoim e Freguesia se destacam como a área populacional mais antiga do Recôncavo baiano. A primeira penetração do homem civilizado nestes rincões, ocorreu em 5 de agosto de 1552.- Recôncavo Berço dos Canaviais – Milton dos Santos Matos págs 13 e 25.
Dos canaviais, do massapê, das ruínas das senzalas mais gente escuta, sem que sejam médiuns psicômetras, as reclamações dos negros por justiça para os seus descendentes; a recuperação de suas identidades; seu direito de cidadania, que não obtiveram para si.