Desvio do Pojuca

dezembro de 1989

Desvio do Pojuca – (Chico Portela)

 

Existem poucos registros sobre os fatos de Terra Nova. Isso porque nas terras do hoje município, havia, no século XVIII, século XIX muitos engenhos entre eles o engenho Terra Nova. Sem grandes destaques entre as populações de um engenho sobre o outro.

 

O destaque era Rio Fundo por ser sede da Freguesia, com o nome de São Pedro do Rio Fundo (instalada no antigo engenho São Pedro de Itararipe- século VII), na qual estava situado o Engenho Terra Nova, em Rio Fundo se concentrava a delegacia, o cemitério, cartórios. Funcionava como um distrito de Santo Amaro. (Elevado à categoria de vila com a denominação de Nossa Senhora da Purificação e Santo Amaro, em 05-01-1727).

Em 1911 o povoado, Rio Fundo, já aparece oficialmente como distrito de Santo Amaro.

O Jacu em 1936 já era distrito de Santo Amaro, onde também as pessoas de Terra Nova eram registradas.

Terra Nova no início do século vinte, quando se instalou a usina, era considerada um povoado, formado por fazendas, somente no ano de 1953 passou de povoado para distrito de Santo Amaro, com o nome de Terra Boa.

Mesmo os fatos históricos mais recentes, como: ato de diplomação do primeiro prefeito; instalação e primeira secção da Câmara de vereadores; primeiros projetos; debates em Santo Amaro, sobre o desmembramento; cópia do documento que transcreveu a Lei Estadual 1.532/61 que emancipou Terra Nova. Nem mesmo na Assembleia Legislativa.

O provável desvio pode se pautar em três pilares:

 

1 – A cabeceira esquerda (lado do comércio) foi assentada sobre um terreno de pedra cascalhado;

2  No prolongamento do lado direito da ponte, sentido Terra Nova Velha, é visível que os trilhos foram assentados sobre terreno emprestado;

3  No local onde o rio faz um cotovelo (noventa graus) existe uma mureta de contenção em forma de “L” e próximo um conjunto de dois pontilhões.

 

Se considerado a ocorrência do desvio, o rio no curso normal passava entre a ponte e o bueiro. Ressalve-se que a inauguração da linha férrea (1883) anterior a da usina (1903), portanto basta olhar para perceber que antes da instalação da ferrovia, os dois lados cortados pela linha tinham o mesmo nível.

 

Cabe registrar outros fatos que dizem respeito á ponte ferroviária:

– Em algum momento, já li que na construção do ramal um problema de ponte, teria retardado seu prosseguimento;

 

– Tinha conhecimento de outro impedimento da ponte – numa das cheia do Pojuca a correnteza arrastara as terras de sustentação da cabeceira direita e por falta de segurança os trens tiveram suas viagens prejudicadas. As locomotivas, devido ao seu peso, foram impedidas de atravessar a ponte, para prosseguir a viagem. Como tinha do outro lado uma máquina da usina, esta era quem levava e trazia a composição até Bom Jardim. No percurso para Santo Amaro fazia-se o mesmo processo, e as locomotivas da Leste fazia o vai e vem dos passageiros entre Terra Nova e Santo Amaro (as classes passavam vazias de um lado para o outro e os passageiros a pés).

Muitas informações como: razão do nome; onde, como, e quando começou são, para nós, produto de especulação, ou informações oral, sem comprovante escrito.

Baseado numa informação oral é que registramos um provável desvio do curso do rio Pojuca, a fim de se construir uma ponte ferroviária sobre o mesmo.

Foi através de conversas, entrevistas que coletamos muitos dados sobre Terra Nova, como esse do desvio do Rio Pojuca.

Seu Antidio Roque, um terranovense de quase cem anos (97) de uma memória impressionante, numa de nossas conversas sobre as coisas de Terra Nova.

Antídio disse: eu era ainda menino e ouvi de Chico Portela que o Rio Pojuca foi desviado do se curso, na construção do Ramal de Santo Amaro, para que se assentasse a ponte em terreno firme.

 

O fato se tornou interessante não somente pela informação do desvio do Pojuca, mas, também por ter conhecido Chico Portela:

Chico Portela, era carpinteiro fazia e concertava carro de boi, era quem concertava fundo de lata de gás e de bacia de flandres quando furavam. Ele e sua família moravam em Terra Nova Velha. Sua casa ficava nas terras dos Pacheco, recuada dentro de uma espécie de gruta, no lado esquerdo da linha férrea, no sentido de Rio Fundo.

 

Antes de se chamar atenção para o desvio do Rio Pojuca, o fato passa despercebido. Mas, depois de conhecer a informação, há de se concordar. Percebe-se se olhando para o lado de São Caetano \Aramaré, a partir da cabeceira da ponte, margem direita do rio, que num determinado ponto ocorreu alguma coisa com o curso do rio.

 

Essa enchente do Rio Pojuca ocorreu em dezembro de 1989

Observa-se nesta foto quase tudo que foi dito sobre o desvio do rio: o terreno emprestado da cabeceira direita; a invasão das águas dos dois do terreno e o nivelamento.

Esta é mais uma imagem das cheias do Pojuca, que também pode reforçar a informação do desvio: a agua espalhada á margem direita, antes da ponte; avista-se também na foto o imóvel que foi residência do Sr. Artur Pacheco.

Esse episódio foi confirmado por Seu Antidio  “No dia 15 de novembro de 1947, a ponte foi interditada. Lembro que eu estava construindo um coreto no fundo da escola junto do Posto Médico, onde hoje mora Violeta Bacelar; foi muita chuva e trovoada, a cabeceira do lado da usina [margem direita do Pojuca] cedeu, pois a terra foi arrastada pela correnteza. Como tinha uma máquina da usina (a Brasil) as classes do trem de passageiro eram puxadas, uma a uma vazia, pela Brasil. Depois a Leste fez uma fogueira de dormente para sustentar os trilhos e uma murada de pedra para proteger a ponte de futuras enchentes do Pojuca”.

  Enquanto o lado esquerdo da cabeceira da ponte se apoiava num terreno firme, o lado direito da cabeceira da ponte o terreno de sustentação em virtude de sua fragilidade, tinha na base     trilhos e dormentes e uma mureta de contensão. Quando o ramal de Santo Amaro foi desativado e anos depois com o fechamento da usina, os reparos não foram suficientes e numa das cheias do Pojuca a cabeceira da ponte cedeu e as autoridades municipais não se dispuseram recuperá-la optando por uma ponte de cimento.

 

 

 

 

 

 

Nessas três imagens é que está registrado o provável desvio. Aí estão a parede de pedra construída em “L” e os pontilhões