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Escrito por Viraldo Barbosa 
Ter, 18 de Junho de 2013 08:20

tn2Terra Nova – Reflexão
Por vezes certas informações que dispomos, obtidas duma única fonte, relutamos em disponibilizá-las em textos para o público. Esse procedimento torna-se necessário, pois elas precisam ser confirmadas por outras fontes, caso contrário corre-se o risco de usadas em trabalhos de pesquisas, induzir o responsável pelo trabalho ao erro.
No entanto, quando se acredita na informação, mesmo que proveniente de uma só fonte, às vezes ela deve ser evidenciada (com as ressalvas). Quem sabe se num determinada momento da história a informação se evidencie, apresentada por outra fonte. Assim será mais uma fonte a ser juntada, ficando, assim, mais próximo de ser verdadeira. Portanto, nessa situação, é muito mais válido disponibilizá-la para o público do que guardá-la para si.

Esses fatos quando são levantados, são semelhantes ao que acontece no futebol ao se alçar uma bola na área: ou vai para fora; alguém tira de cabeça; o goleiro pega; ou resulta em gol. Quando o lance resulta em gol, obteve-se o resultado desejado por quem levantou a bola.

Foi assim com o nome Terra Nova do Pojuca. Seu Antidio Roque foi quem disse em diversas ocasiões:
– Quando eu, menino – nasceu em 1914 – estudava na escola de Dona Lulu eu escrevia o nome da escola – Escola Municipal Terra Nova do Pojuca.
– Mais ou menos em 27 (1927) o time formado pelo pessoal da usina chamava-se UTN, Usina Terra Nova, nele jogavam Zacarias West, José Marques, Ermelino Teles, Anísio Conceição [Temos um quadro de retrato com esse time]. Continuou Antidio, na mesma época o outro time era o Pojuca, criado por Seu Landulfo Chaves, Tomazinho Acácio era o time do lado do Comércio, (lado esquerdo do rio Pojuca).
Nesse momento lanço a bola na área; levanto a bola – Terra Nova do Pojuca, como nome do Arraial que se formou no outro lado da Usina Terra Nova, quem sabe, lá na frente, munido de outras fontes se marque um gol.

Outras bolas precisam ser alçadas á área, como já foi feito com o Desvio do Rio Pojuca, publicado no Site do Bangüê, do qual destacamos parte como hipóteses:
1 – A cabeceira esquerda, lado do Comércio foi assentada sobre solo de pedra cascalho;
2 – No prolongamento do lado direito, sentido Terra Nova Velha, é visível que os trilhos foram assentados sobre terreno emprestado;
3 – No local onde o rio faz um cotovelo (noventa graus) existe uma mureta de contenção em forma de L, e próximo a um conjunto de dois pontilhões.

Outro fato importante, merecedor de reflexão, que se tornou parte da história de Terra Nova, é o reconhecimento da Rua da Quinta Feira como o ponto de origem do Arraial. Com reconhecimento formal, a Rua da Quinta Feira passou a ser denominada de Praça Luiz Paulino, em homenagem ao proprietário do Engenho Aramaré Luiz Paulino d’Oliveira Pinto da França.
A conclusão deveu-se apenas a uma informação, que para nós foi mera coincidência: Uma Feira instalada nas terras do Engenho Aramaré, a se estabelecer no quarto dia da semana, que é quinta feira.
“O senhor Inácio (Artur Inácio vereador de Terra Nova) deu um salto da cadeira quando ouviu falar que a feira tinha lugar a cada quarto dia da semana, às quintas-feiras: ‘É isso ai, a antiga rua principal, aqui mesmo ao lado, ainda hoje se chama quinta-feira’ Estava encantado…” Retirada do Livro Cartas Baiana de Antônio d’Oliveira Pinto da França – Nota Preliminar, XXVIII.
Foi por isso que a Câmara de Vereadores do município, através do projeto do vereador Artur Inácio, reconheceu a Rua da Quinta Feira como o núcleo que gerou o Arraial de Terra Nova, mudando o nome da Rua para Praça Luiz Paulino.
Justificativas para o pedido da instalação da Feira:
-“falta de trânsito cômodos depósitos e mercados centrais, para onde possam concorrer os introdutores e compradores de boiadas cavalarias e mais gêneros, assim de consumo da cidade e das vilas do Recôncavo”. (Cartas Baianas pagina 162).

Ora, mesmo que as terras do Aramaré se estendessem para o lado da Quinta Feira, o ponto mais lógico para estabelecer a feira era nas proximidades da Casa Grande e que fosse à margem direita do Pojuca (mesmo lado do Aramaré), na altura do povoado de São Caetano. As terras de São Caetano deveriam pertencer á Família Pinto da França, pois era proprietária do Carapiá, conforme consta no extrato de registro dos bens de raiz do capitão Bento Jose de Oliveira, (pai de Luiz Paulino) página 141, do já citado livro, Cartas Baianas:
“ O engenho chamado Aramaré, com todos os acessórios de fazer açúcar, e escravos, bois, cavalos, terras, canaviais, roças, pastos, casas de vivenda, senzalas, matos, que tudo consta no inventário que fiz…[ ] O houve por compra que dele fiz ao capitão João de Aguiar Vilas Boas, morador que era no dito em 7 de setembro de 1765… Assim mais, ajuntei às terras do dito engenho as que foram de Baltasar de Vasconcelos, chamadas o Carapiá, que rematei na praça da dita vila no ano de1773”.
Outro fator que justificaria a feira à altura do povoado de São Caetano, era que os caminhos para se chegar ao porto de Santo Amaro e Santana dos Olhos D’Agua
a – Carapiá, São Bento do Inhatá, Mata de Aliança, Ladeira do Tombador, Tebáida, Lixa, Sacramento, Santo Amaro;
b – Mucuri, Sape, Propósito, São Bento, Lapa, Feira de Santana.
Esses caminhos foram passagens para as tropas de mel, tanto dos engenhos como das usinas; para as boiadas etc.
A combinação dos fatores admitida, como probabilidade, para a instalação da Feira em outro local das terras do Aramaré (São Caetano) é mais palpável do que aquele considerado e que hoje se chama Praça Luiz Paulino. Por consequência o inicio do arraial de Terra Nova não ocorreu na Rua da Quinta Feira.
Finalizamos dizendo que, mais de uma pessoa afirma que a origem do nome Rua da Quinta Feira, está diretamente ligado a um problema de moagem da Usina Terra Nova. Esse problema fez com que a administração da usina concedesse mais um dia de folga aos operários. O dia escolhido foi quinta feira. Alguns operários aproveitaram a folga para construir suas casas, e um dos locais, onde se juntou várias casas passou a chamar-se de Rua da Quinta Feira.
Junho de 2013
Viraldo