O Bueiro de Paranaguá

Escrito por Viraldo B. Ribeiro
Qui, 25 de Fevereiro de 2010 19:57

Quantos buscam por dentro do mato
Vencem o massapê, se arriscam
Escarafuncham arquivos fazendas
Bibliotecas sebos
Algo que sirva de ponte
Entre o presente e o passado.

Quantos nomes, quantos anônimos
Catam uma peça aqui mais outra pedra
Ou foto de uma ruína escalam morros
Chuva ou sol, pouco importa.

– Meu bisavô trabalhou ali!

– O tetra avô veio de lá.
A busca liga tempo
Torna afins gerações

-Tô recuperando essa ruína
– A família do avô de meu pai
Ajudou na construção!

Por isso os Artur, os Alberto, os Silva
Os Ribeiro, os Valente, os Barbosa
Em Terra Nova, Santo Amaro
Jacuípe, Maracangalha, Paranaguá

Seja um Espaço Cultural um Museu
Uma foto, um livro, uma anotação
Eles perseguem e seguem coisas
Juntando numa só mensagem gerações

Escrevem sem ser peritos
Mas a mensagem chega

Mas existe o outro lado
Que rema na fácil corrente
Transforma pontes em sucata
Derruba cobertura de igreja
Só pelo ferro telhas tijolos telhas.

Põe no chão senzalas
Bueiro usinas
Só pelo …

He! Existem os do outro lado!

Adeus, bueiro de Paranaguá
Quantas famílias alimentaste
Tantas feiras, quantas botadas
Você assistiu…

Tempo passou
E todo calor acumulado
Que você acumulou
Sei lá… mais de 50 anos

O fogo morto te deu outra energia

Por muito tempo viraste imagem
De admiração, satisfação, lembrança
Saudade
Foste até abrigo e ninho das andorinhas
Lá em cima.

Mas tem muita gente que
Não pensa como aqueles amigos

E você que até o tempo te esqueceu
Ou te confundiu com ele!
Pro tempo, o tempo é o tempo
Desse jeito era pra sempre.
Pra sempre ali do lado das casas,
Junto da escola, admirando o Chalé
Chalé de Paranaguá, um dos mais belos

Sem ser mais velho ou mais novo
Mas sempre presente
Nessa caminhada teve quem te associasse
Ao fim da guerra; começaste naquele dia.

Adeus, amigo, um protesto aqui
Uma resistência ali
Nada suficiente para parar
Parar a mão inimiga que o destruiu

Adeus parceiro serás visto em
Fotos, filmes do instante trágico.
Mas, no ir e vir de Terra Nova,
Vou sempre olhar para o outro lado.

31. outubro. 2009
viraldo