SONHO; INSTITUTO BAIANO DE AGRICULTURA; SOCIEDADE DOS DESVALIDOS

Escrito por Viraldo B. Ribeiro   Sáb, 16 de Maio de 2009 09:24

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Número 19 Edição 01 – Sítio Inhatá dezembro 2002

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SONHO  

capaA participação na São Silvestre foi adiada, chegou-se perto. O sonho não se realiza sozinho. A execução depende também do outro. Lula foi diplomado, e empossado Presidente do Brasil, um sonho buscado há muito tempo. Executá-lo depende de todos nós. Não cabe aplaudir ou vaiar, tem que participar para saber como é. A São Silvestre é a São Silvestre, não pelos que chegam na ponta, é muito mais pelos anônimos que participam. Então à luta! Não que fosse tão inesperada a nomeação de Gil para o Ministério da Cultura. Mas, de repente, acorda-se pra sonhar. Sonhar acordado. Sonho acordado não dá no bicho… e se arrumássemos direitinho tudo que coletamos no Recôncavo, que coletamos, que ouvimos, juntássemos tudo isso ao que imaginamos – Um Caderno Ilustrado – e mandássemos para o Ministro.

Quem sabe acerta-se na dezena ou numa sena; quem sabe até no difícil milhar. Uma coisa estava garantido: as ruínas do engenho São Miguel das Almas iriam às lágrimas de alegria, lá no massapê de S. Francisco do Conde. As paredes da Matriz de São Pedro do Rio Fundo se mostrariam mais imponentes, lá de cima. A igreja do Vencimento, em Paramirim, não se preocuparia com as chuvas e vibraria com o pessoal voltando a passear em seu redor, deixando de ser sanitário e abrigo de animais. E o engenho Oiteiro, destacado lá em cima no outeiro do distrito de Jacu, juntamente com o Pimentel (por terem saído no livro Antigos Engenhos do Brasil, no meio dos lindos engenhos do Rio de Janeiro e Pernambuco) pensariam ser cuidados e ficariam sempre belos como continuam sendo o Lagoa, o Caetá o Api e outros. É sempre bom tentar. Sem o primeiro passo ninguém dá o segundo; não chega, portanto.

Se existe uma pedra no caminho, não a remova, coloque mais uma e faça um degrau. Há não muito tempo, dois anos talvez, temos nos permitido prazerosamente percorrer o Recôncavo, subindo e descendo ladeiras, no meio de quixabas, dentro de canaviais, pastos de gado e rios, literalmente, metendo o pé no massapê, com a finalidade de fotografar ruínas de engenhos, capelas, matrizes, igrejas, do Brasil Colônia.De repente nos sentimos com um conteúdo de informações perguntando por que, para que. E se a Natureza juntou sua própria energia à nossa, nos fez de agulha que aos poucos foi costurando esses retalhos para servir ao Recôncavo. Para pensar ruínas? Estamos começando a pensar em fazer um degrau. Fazer uma espécie de Sociedade Protetora dos Desvalidos, uma Sociedade Amigos das Ruínas dos Engenhos, e ai entrariam os que são, e os que são e não sabem.    

INSTITUTO BAIANO DE AGRICULTURA    

agricolaO Instituto Baiano de Agricultura funcionou até 1930, localizado em S. Francisco do Conde. Um pouco de sua história retirada do livro O Engenho Central do Bom Jardim página 35 e 36: “Duas instituições são dignas de um exame aqui, objetivando evidenciar o poder e os serviços desempenhados pelas famílias patriarcais do Recôncavo mais especificamente pela família Costa Pinto, de Santo Amaro. Em 1859, D. PedroII, quando de sua visita às províncias do Norte, fundou uma instituição, há muito sonhada: o Imperial Instituto Baiano de Agricultura… Entretanto, no decorrer dos dez primeiros anos de vida do Instituto,nem todas as idéias foram integralmente aproveitadas… Em 1859 foi sugerido o plano mais importante: a criação da Imperial Escola Agrícola da Bahia, retardando-se sua inauguração efetiva até 15 de fevereiro de 1877”.

SOCIEDADE DOS DESVALIDOS

quadroA Sociedade Protetora dos Desvalidos ainda está aí servindo. Não com sua finalidade inicial de alforriar, mas ainda está na mesma casa em que foi fundada, no Terreiro de Jesus número 17, Cruzeiro de São Francisco. Reproduzimos, Pierre Verger, de Fluxo e Refluxo, “Ela foi fundada por iniciativa de Manoel Victor Serra, africano, `ganhador`no `canto`da Preguiça. Ele convidou alguns de seus amigos a participar, em 10 de setembro de 1832, de uma reunião na capela dos Quinze Mistérios onde, após discussão, foi decidido reunirem-se de novo em 16 de setembro para fundar uma junta que levaria a nome de Irmandade de Nossa Senhora da Soledade Amparo dos Desvalidos.

Dezenove africanos alforriados foram os fundadores daquela instituição; Victor Serra foi nomeado juiz fundador, Manoel da Conceição ( marceneiro) era tesoureiro e Luiz Teixeira Gomes (pedreiro) era o encarregado da escrita; os três tinham uma das chaves de um cofre que não podia ser aberto a não ser que as três chaves estivessem sendo utilizadas ao mesmo tempo. O mesmo cofre estava colocado na casa do vigário da paróquia de Santo Antônio, o reverendo padre Joaquim José de Sanat’ana, de quem um empregado, José Maria Vitela, fazia parte do comitê administrativo”.