TERRA NOVA; ENGENHOS CENTRAIS / USINAS; OS CATINGUEIROS

Escrito por Viraldo B. Ribeiro
Sáb, 16 de Maio de 2009 08:46
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Número 13 – Edição 01 – Sítio Inhatá, maio 2002
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TERRA NOVA

ooioiooO começo do hoje município de Terra Nova deve ter a mesma data do Decreto rubricado pelo El-Rei Nosso Senhor, no Rio de Janeiro, em 9 de agosto de 1819, concedendo a faculdade de estabelecer-se uma feira no quarto dia de cada semana, em terras do Engenho Aramaré, pertencente a João Paulino de Oliveira França na capitania da Bahia.

 

RUA DA QUINTA-FEIRA

O núcleo propulsor de um povoado era sempre uma feira.

Não acreditamos ser coincidência, a existência da Rua da Quinta Feira, (quarto dia útil) lá em Terra Nova, próxima ao rio Pojuca, destacado no pedido como facilitador para circulação de mercadoria e bebedouro para boiada.

O Proprietário de Aramaré, com o decreto, estava autorizado a levantar casas, barracas ou tendas portáteis, armazéns de molhados. Garantia-se também locais para os fazendeiros venderem suas frutas e verduras, currais fechados e pastos para boiadas.

TAMARINEIRO PLANTADO NOS ANOS 1800.

O engenho Aramaré, como o Terra Nova, Jacuipe, S. Antonio do Rio Fundo, Carapiá, S. Bento do Inhatá e Brito faziam parte da Freguesia de São Pedro do Rio Fundo. Essa Freguesia foi criada em 1718, desmembrada da freguesia de Nessa Senhora da Purificação da Vila de Santo Amaro.

Nas terras da Freguesia de Rio Fundo, numa tentativa de manter viva a indústria de cana em condições de concorrer no mercado, foi instalado, em 1886, um Engenho Central, que se baseava na desvinculação do trabalho do campo com o da indústria.

Os Engenhos Centrais operaram, na região, paralelamente aos engenhos tradicionais.

“Contratos foram assinados com a Companhia Central Sugar Factories Limited que iniciou sua programação visando á criação de oito engenhos centrais, depois quatro, para finalmente inaugurar apenas dois o de Rio Fundo e o de Iguape… Inaugurados ainda sem condições técnicas de funcionamento, em 29 de julho de 1886 e 2 de agosto do mesmo ano”. Memória da FIEB pág. 27

Em 1899, foi posta em prática outro tipo de fábrica, a Usina, com o nome de Terra Nova que, iniciou sua moagem em 1901.

ENGENHOS CENTRAIS / USINAS

engbomjdA fase das Usinas no Município de Santo Amaro teve inicio entre o final de século XIX o começo do século XX. “Em 1898, o Governo do Estado contratou a construção de três usinas, e delas eram concessionários o Comendador Francisco Gonçalves e Domingos Rodrigues, de Terra Nova; José Alves Carvalho, de Itapetingui e novamente Manoel Francisco Gonçalves, de D.João” Federação das Industrias Memórias – Anamélia Vieira Nascimento pág.27 Segundo, ainda, a Memória da FIEB a Usina Aliança foi construída em 1892.

fmorto“Com a guerra de 1914, as usinas foram se endividando e várias sociedades para a produção de açúcar foram dissolvidas. No lugar delas surgiu uma subsidiária de Magalhães e Cia., a Companhia Lavoura Industria Reunidas”Fieb Memórias pag26.

A LIR recebia as produções de Açúcar das Usinas do Grupo.

 

OS CATINGUEIROS

canavialDenominação dada, pelo menos em Terra Nova, àquelas pessoas que em grupos se deslocavam do Sertão para trabalharem nos canaviais das usinas

O mês de agosto se preparava para entregar os dias a setembro. A fumaça do “esquente” ia longe, bem longe. O grito se repetindo de pessoa a pessoa, de um lugar pro outro chegava no sertão, chegava na caatinga.

E lá vinham os Catingueiros, homens mulheres e filhos, do Sertão para o Recôncavo no rastro do trabalho no canavial. Começava a moagem.

Logo que chegavam se arranchavam no galpão, instalado no campo, espécie de senzala, propriedade dos lavradores de cana ou da própria Usina. Assim era em São Caetano, Felipe, Boa Sorte, Canabrava. Todos esses locais tinham, além do galpão, um Armazém onde o vale era moeda pro café, açúcar, farinha, carne seca e cachaça.

Bem cedinho, madrugada, antes de três vezes o galo cantar, sombras na neblina, passavam a conversar; só se ouvia o zum zum zun. Não era fila, iam um atrás do outro, passadas no ritmo do murmúrio.

Sandália de três tiras. Camisa grossa de mangas compridas, chapéu de palha abas bem grandes, anteviam dia ensolarado. As mulheres, além do chapéu, um lenço na cabeça amarrado em baixo do queixo escondia o cabelo.

Enxada transportada no ombro onde prendiam um facão, uma mochila com farinha seca e carne de sertão, uma cabaça, ou moringa com água de beber. Passavam para trabalhar nos canaviais, na limpa e no corte da cana, recebendo na quinzena por rego de cana.

Na noite, entre baforadas do cachimbo ou cigarro de palha, produzido de fumo de corda com a ajuda da faca de sete tostões, cismavam a terra que lá ficou

Cessou a participação dos catingueiros com prática de queimar a palha da cana,

ao invés de limpar, com uso de maquinário no canavial e com a implantação das leis trabalhistas.

Na migração, vinham profissionais: ferreiros, carpinteiros, seleiro, alfaiates, mulheres da vida, que, depois da moagem, ficavam nos campos da Usina no comércio da localidade, ou no morro.

Famílias formadas de casais desse povo, ou mesmo de migrantes com filhos da terra existem em Terra Nova.

Aviso aos navegantes

Se existe reencarnação,

queira já nessa vida de

encarnado indicar o grupo para

conviver na próxima.

Não desejes voltar pai, nem

filho de filho. Mas sim da forma

que tem mais cumplicidade:

irmão. Encaixado ali como um

deles. Tem lugar, cabe.

Mesmo que a economia não

melhore. Mesmo que as

dificuldades aumentem, nem,

nem, aí para planejamento

familiar.

Sendo cúmplices, mesmo muitos,

é Um.

Nem aí pra esse negócio de

“doutor”. Se são uma oficina de

alegria, é tudo, não há de ser

nada.

Pai não é cúmplice suficiente.

Irmão tem tudo pra ser, caso

não os atrapalhem.

Esse negócio de deixar

intervalo, mais que dois anos,

não está com nada.

Arrisca o mais velho tirar onda

de mais velho.

A escada ideal tem um degrau

Fotografias são boas quando

mostra: dois; três; parecendo

um; iguais a um.

Dá um prazer imenso, enorme,

muito grande, viajando via

Ponta de Areia.

Vira página rir-se, noutra

chora rindo.

É uma inveja gostosa de si.

Ponta de Areia transporta no

tempo.

Vive-se tempo real folheando-o

Fica o aviso, ficas de sobre-

aviso.

Na próxima são quatro.

Sem pensar ser o mais velho.

No time tem, sem tirar ninguém

de posição.

Primogênito é primogênito,

caçula é caçula.
P.S Nesse grupo, menino,

menina, tudo bem.

Brejo Grande

FREGUESIAS

foto1Conjunto dos paroquianos; povoação no sentido eclesiástico.
Do ponto de vista territorial, a Freguesia foi uma espécie de distrito. Algumas foram desmembradas de outras preexistentes.

Na busca de informações sobre o Recôncavo, no período Colonial, no Arquivo Publico, encontramos um livro (caderno) sobre as Freguesias. O conteúdo são relatórios minuciosos, redigidos por vigários, datados de 1700.
O Livro tem como controle, Guia de Secção Colonial e Provincial, número 609 já bastante velho, tão que, no manuseio, as folhas se partem como folha seca. Na nossa segunda consulta, ele já estava “separado para restauração”.
O Bangüê passou para seus arquivos dados de relatórios com mais de 300 anos, sobre as Freguesias: da Vila de Santo Amaro da Purificação; São Pedro do Rio Fundo; Nossa Senhora da Oliveira dos Campinhos; São Sebastião das Cachoeiras do Passé; S. Gonçalo da Vila de S. Francisco da barra do Sergipe do Conde e da freguesia do Socorro do Recôncavo.