Terras Novas

TERRAS NOVAS 

 

 

Junho 2017, Viraldo

 

Terra Nova

Terra Nova Velha

Terra Nova do Pojuca

Ao longo da história de Terra Nova até tornar-se um município, ela teve outras denominações, mas sempre com o termo terra nova no meio. Assim foi Terra Nova do Pojuca, Terra Nova Velha, foi também Terra Boa, esta sem a expressão terra nova. Essa identidade vigorou no período de 30 de dezembro de 1953 a 20 de outubro de 1961, em que foi distrito de Santo Amaro, voltando a ser Terra Nova a partir daí como município independente.

Terra Nova Velha, surgiu como uma espécie de um apelido; essas coisas que o povo marca para distinguir um lugar,[tudo é Terra Nova, mas ali é Terra Nova Velha], que ainda perdurará para sempre.

Terra Nova do Pojuca, proveniente de informação oral, passada por um aluno da professora Lulu, estudante dos idos da década de 20 do ano de 1900: “eu identificava a minha escola no cabeçalho do papel, como Terra Nova do [a] Pojuca. Tem fundamento o que disse o nosso informante, pois, Francisco Assis Melo – Chicão – assim se expressou: comprei um lote do pequeno sitio da professora Merita, filha da professora Lulu, quando ela o loteou, era parte da fazenda Pojuca. Dona Piedade Pacheco, irmã de Artur Pacheco, nos disse em Santo Amaro (onde reside) ano 2010 …não, eu não sei como se chamava o outro lado da Pojuca, só me lembro que tinha um arraialzinho lá, do lado de cá era tudo Terra Nova de Doutor Américo Pacheco, meu pai.

Nessa época, últimas décadas do século XIX, a terra era propriedade dos donos de engenhos; dos fornecedores de cana; de pequenos fazendeiros e de sítios. A classe dominante, fornecedores de cana e donos de engenho, não permitia que em suas terras atividades particulares, como um pequeno comércio ou serviços, possibilitando a partir  daí o surgimento de uma feira, fator indispensável para o surgimento de um arraial.

Não foi assim nas terras da fazenda Pojuca, onde tinha um arraialzinho resultante de arrendamento ou venda de pedaços de terra por parte dos proprietários, Felipe Simões de Paiva e de D. Maria do Amaral Simões de Paiva, [os pais da professora Lulu – Luiza Simões Paiva]. Aquela criança quando nasceu em 1864 quando poucas casas existiam aqui. [Nessa época, não existia Usina, Estrada de Ferro, e o Engenho Terra Nova, cujas terras não tinham limite com o Pojuca, foi registrado em 1862 por Antônio de Bitencourt Berenguer Cesar]. O lugarejo que abrigava a fazenda Pojuca, ou o contrário, tinha um nome que bem poderia vir a ser Terra Nova do Pojuca.

 

Expansão dos Engenhos

 

A semente que gerou Terra Nova, foi plantada há muito tempo, ela é um dos galhos da planta que vingou e prosperou graças a indústria da cana de açúcar. Terra Nova foi resultante da política, depois de outras tentativas mal sucedidas, adotada pela Corte Portuguesa, para ocupar e assegurar a posse da terra descoberta, doou grandes poções, para que os beneficiados construíssem seus engenhos, isso em 1549 com a chegada do primeiro Governador Geral – Thomé de Souza.

Nos dois primeiros governos os engenhos foram implantados a partir da cidade de Salvador, Sede do Governo, até a região de Paripe.

Somente no terceiro governo – 1557/1573, é que os engenhos se espalharam no Recôncavo, chegando ao vale do Paraguaçu.

A expansão dos engenhos ao longo da Baia de todos os Santos foi à custa de muitas lutas e guerras contra os índios, imposta por Mem de Sá, considerado o exterminador das tribos indígenas.

Esses engenhos instalados em toda Baia de Todos os Santos – engenhos da beira mar – ao longo do tempo as terras exploradas foram se tornando escassas e fracas, além da falta de lenha, necessária para a fornalha. Foi esse conjunto que gerou o processo de interiorização dos engenhos – engenhos do sertão – esse avanço para o interior, era chamado de buscas por terras novas, ou novas terras.

Por que Terra Nova

Não encontramos nenhum registro justificando o nome que foi dado para o engenho Terra Nova, implantado aqui na região. Poderia ter sido o nome adotado pelo seu proprietário, em homenagem a alguma coisa da sua terra portuguesa, como por exemplo um rio; um sobrenome; um lugarejo ou mesmo tirada da lembrança de uma frase de despedida –  adeus vou para terra nova.

No nosso entendimento o nome Terra Nova é uma forma de analogia; uma associação com busca por terras no sertão (novas terras), devido ao esgotamento do solo da beirada do mar (tanto em espaço como em nutrientes). Esse caminho de interiorização dos engenhos, foi percorrido por dezenas de engenhos, que, por sua vez foram fatores determinantes para divisão ou criação de Freguesias, como a de São Pedro Rio Fundo, Bom Jardim, São Sebastião. Portanto é muito provável que a expressão: nas novas terras inspirou seus proprietários a nomeá-lo de Engenho Terra Nova.

O engenho Terra Nova fazia parte da Freguesia de São Pedro do Rio Fundo, fundada em 1718, (a véspera dos 300 anos). Da mesma época, outro engenho do sertão, tem também o mesmo nome, porem fazendo parte da Freguesia de São Sebastião do Passé – Engenho Terra Nova dos Carmelitas.

Límites Geográficos

A área de influência dos engenhos estava restrita aos limites de suas terras, onde o ‘coronel’ tinha poderes absoluto sobre os habitantes, principalmente sobre seus escravos. Como existia diversos engenhos, na mesma Freguesia do Rio Fundo, instalados entre as terras do Terra Nova e o Rio Pojuca, o Engenho Terra Nova não tinha nenhuma ingerência sobre o centro do hoje município, e que esse centro fosse identificado com o nome do engenho.

Engenho Terra Nova e a Baronesa do Bom Jardim

Não encontramos, no século XVIII qualquer proprietário de engenho como donos da área, portanto aquele pedaço ainda não era Terra Nova. 

Somente nos fins do século XIX, quando se assentava seus trilhos (1883) da ferrovia de Santo Amaro para atravessar o rio Pojuca, passar por Caraconha em direção ao Jacu, é que aparece um proprietário de fazenda – Baronesa do Bom Jardim, mesmo assim, sem incluir entre suas terras as do Centro, evidenciado no episódio com a passagem da Estrada de Ferro de Santo Amaro, ora retirando do livro Engenho Central do Bom Jardim, de Eul-Soo Pang, pagina 39:

O Engenho Terra Nova, o Engenho Periperi, e a Fazenda Caracanha pertencentes a Baronesa de Bom Jardim e seus herdeiros[…] criou obstáculos para a passagem dos trilhos da ferrovia esse problema – impedimento da passagem dos trilhos – é transcrito, também, em carta datada de 4 de outubro de 1878, pelo engenheiro responsável pela obra, e encaminhada para o Presidente da Província:

Bahia 4 de outubro de 1878
Ilmo. E Exmo. Senhor.

Tendo o Dr. José Pacheco Pereira por si e como representante de sua sogra Exma. Baronesa do Bom Jardim e seus filhos negado o terreno de seus engenhos Terra Nova e Periperi a da fazenda Caraconha preciso para a passagem desta estrada solicito de V. Exma. Que por intermédio do digno Dr. Procurador Fiscal da fazenda Provincial e no Juízo Competente se promova a desapropriação judicial dos referidos terrenos os quais se acham representados na planta junta.

São precisos para a estrada 103.830 metros quadrados ou 23,5/6 tarefas de terra, sendo 93.830 metros quadrados nos engenhos de Terra Nova e Periperí e 10.000 metros quadrados na fazenda Caraconha, tudo como se acha marcado na referida planta.

Então por este fato ocorrido no início da penúltima década dos anos de 1800 é que se pode dizer que o engenho Terra Nova pertencia a Baronesa do Bom Jardim, – Francisca de Assis Moniz Barreto [c.1812-1884], baronesa de Bom Jardim.

 

Terra Nova do Pojuca e a Família Paiva (Simões) Luna  

A área entre Caraconha e Dornel, por informação oral e para mim convincente, esse miolo territorial pertencia a duas fazendas: a dos Paiva e de Dona Joaninha.

A denominação desse miolo ou parte dele, não devia ser Terra Nova. Poderia ser reconhecido por um nome associado ao Rio Pojuca, como disse Seu Antidio Roque: eu escrevia no papel, na escola   da Professora Lulu, Escola Municipal Terra Nova do Pojuca.

Então, Terra Nova do Pojuca, situada na margem esquerda do rio Pojuca, na propriedade – Fazenda Pojuca – da Família Paiva Simões [herdada por dona Lulu passou a ser Luna] hoje está assim enquadrada:

Pela parte leste está a Secretaria de Educação do Município, (ao lado da igreja de São Roque), foi também residência da família de Zacarias West – Gerente da Usina Terra Nova e também sede do Sindicato e Escola;

O lado contrário, próximo ao colégio Oscar Pereira, lado oeste estão duas casas geminadas e de avarandado era da família, era um imóvel só e não dois como hoje, abrigando ali a residência e a escola de dona Lulu – Luiza de Paiva Luna. Violeta Bacelar moradora da casa vizinha ao Inocento, imóvel que foi uma escola, me disse numa das nossas conversas: me lembro ainda hoje, quem dividiu aquela casa em duas foi meu pai, Joanito Bacelar;

Pelo lado norte, Caraconha as duas casas geminadas e de varanda era também da família, seu Antidio nos disse que no fundo tinha uma Olaria, mais adiante na altura do Mega-Show, inclui-se como da família a casa da professora Merita, filha de dona Lulu – Luiza de Paiva Luna.

Nesse quadrado provavelmente era a Terra Nova do Pojuca, que deu nome da escola onde estudou Seu Antidio.

A Palestra do Professor Ronald – homenagem a professora Lulu

As duas fazendas existiam nesse ano -1883 – quando houve o questionamento judicial sobre a propriedade da terra e a passagem da estrada de ferro.

Para a fazendo dos Paiva temos prova documental, que identifica o seu proprietário. Esse documento é uma Palestra ministrada pelo professor Ronald, homenageando a professora Lulu, publicada no Site do Bangüê da qual destacamos:

Terra Nova, seu torrão natal, porque quando poucas casas existiam aqui, a 25 de agosto de 1864, no lar honrado de Felipe Simões de Paiva e de D. Maria do Amaral Simões de Paiva, nascia uma criança que, na pia batismal, recebeu o nome de Luiza. Foi aquela criança robusta que viria a ser, a 2 de abril de 1883, a Professora Luiza Simões de Paiva, mais conhecida por Professora Lulu.

Vale destacar nessa década de 60 dos anos de 1800, que o engenho Terra Nova não era, ainda, propriedade da Baronesa de Bom Jardim, seu proprietário era Antônio Bitencourt, de acordo um trecho no livro de Carlos Ott – Povoamento do Recôncavo pelos Engenhos, 1536 – 1888, pagina 54; “Aos 9 de setembro de 1862, foi registrado [engenho Terra Nova] por Antônio Bitencourt Berenguer Cesar…”

Evidente que “as poucas casas”, da propriedade dos Paiva, vinte anos depois já tinha mais residências e uma população maior, onde cada residente era proprietário do seu imóvel, obtido através de compra ou arrendamento, explorando da maneira mais conveniente, seja uma roça, uma tenda, uma venda, um curral, um centro de comercio, ao contrário da propriedade das terras dos engenhos, onde tudo era do dono do engenho, e que não permitia qualquer tipo de comercialização.

Numa situação das duas fazendas, sem predominância do monopólio da terra, o poder público pode se instalar, e foi assim com a Escola Municipal de Terra Nova da Pojuca, cujo imóvel foi construído pelo dono da fazenda.

Há fundamento, portanto, que essa parte central da cidade, foi um dia identificada como Terra Nova do Pojuca.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prof. Lulu, 4 gerações

Prof. Lulu e irmão

Um Passeio nas Terras dos Paiva Luna

 

Fomos buscar, numa caminhada pelo Centro da Cidade de Terra Nova, em direção a Caraconha o pedaço de terra onde teria iniciado o povoado.

Convidamos para o reconhecimento Gonzaga- Antônio Gonzaga nos seus quase 80 anos, nascido nas terras de Dr. Américo Pacheco, de quem seu pai, Manoel Gonzaga era trabalhador.

Gonzaga, ainda adolescente saiu de Terra Nova Velha e foi morar com a família na Rua do Quadro; aprendeu a arte de Carpintaria na Usina com o pai, profissão que o levou a trabalhar na Petrobrás, menino foi aprendiz de barbeiro na tenda de Zezinho do Pó.

Gonzaga, vamos identificar as casas que foram da professora Lulu; – vamos sim, a parte que foi terra dela deve começar na Rua do Quadro; – eh!  Rapaz já estamos no Mega-Show; – eh! Aquela casa que está com a placa de ótica, era a casa da professora Meríta, filha dela; – eu não identificava mais a casa; – ali do outro lado era a casa da mãe de Chicão, tudo isso aqui era da família de dona Lulu; – você se lembra do rosto dela; – lembro ela foi minha

Professora; – ela ou a filha; – a filha; – sei a filha dela, a

professora Zita.

Casa da Professora Merita Lá na frente, a entrada da R do Quadro

Retornamos, pois passamos distraídos por uma das casas que fora da família Paiva Luna. Nesse retorno avistamos Maricota West, que era acompanhada pelo seu vizinho Muncio. Maricota esclareceu: – Não! Minha casa não foi de dona Lulu, a que foi da família são aquelas duas, uma é de Ioiô e a outra foi de Chico Ribeiro, na época era uma casa só, e de avarandado.

Era nela que no fundo funcionava uma olaria, muito necessária na época, quando um arraial se esboçava, e também como meio de renda, para quem, como a família, loteava sua terra.

Casa dos Paiva Luna – Início de Caraconha.

Caraconha – lá adiante é a Rua do Quadro

– Eh! Vamos voltar à Praça para fotografarmos mais duas moradas que foram da família; – quais são; – aquelas duas, perto do Colégio, uma de Tote e a outra de Guga de Miguel Santana. Na época, como a de Caraconha, era uma casa só onde funcionava a escola e a residência. Me lembro que um dia, conversando com Violeta Bacelar ela me disse; – quem separou aquela casa tornando-a duas foi meu pai, Joanito.

Casas modificadas – nos anos de 1800, eram dos Paiva Luna

– E agora, perguntou Gonzaga. – Agora vamos lá junto da igreja de São Roque e tirar a foto casa, que também pertenceu a dona Lulu; foi sede do Sindicato; e residência de seu Zacarias West.

Morada da Família Paiva Luna, no século IX

Se for mostrado os limites geográficos dessa área da Família Paiva Luna, teremos:

  • O Leste, foto número quatro, em direção ao Dornel, onde num determinado ponto, muito provável próximo à casa de Seu Antidio, se encontra com as terras de Dona Joaninha;
  • O Norte estaria em Caraconha, provavelmente próximo à Rua do Quadro, subindo em direção ao morro;
  • O Sul estaria limitado ao longo do Pojuca, na altura da Ponte, até o campo de futebol;
  • A Oeste o indicativo é a foto número três.

Fazenda Pojuca e de Dona Joaninha

Foi dentro desse território, se estende pelo Dornel, terreno inadaptado para o plantio de cana de açúcar ou instalação de Engenhos, que nasceu Terra Nova.

Nasceu sim, pois seus proprietários, ao contrário dos donos de Engenhos ou de Usinas, passavam lotes para terceiros na forma de arrendamento, venda ou aluguel, para que esses novos donos explorassem da forma mais conveniente: plantando; construindo suas moradas; instalando seus meios de negócios como uma barbearia, alfaiataria, uma quitanda, uma venda, um armazém, uma malhada para criar sua vaca de leite.

 

 

Foi dentro desse território, que antes de 1864, como disse o professor Ronaldo “quando poucas casas existiam aqui, a 25 de agosto de 1864, ” que se ensaiava um povoado.

 

Foi no centro desse território que se fixou uma feira semanal, com um Mercado de zinco no meio, e que um dia desmoronou – foi um estrondo danado subiu muita poeira, me contou Seu Antidio.

 

Foi nesse centro, que nas primeiras décadas do ano de 1900, movido pelas rendas (já um regime de não escravidão) geradas: pela usina; pelos canaviais; pela estrada de ferro, e também pelos trabalhos e empregos proporcionados pelos donos de negócios.

 

 

O comercio também se estabeleceu, no Dornel – nas terras de Dona Joaninha, onde as exigências para se negociar os lotes eram menores; por isso que as quantidades de casas eram maiores, era assim que me dizia Seu Antidio Roque.

Se nas primeiras décadas do ano de 1900, já com a Estrada de Ferro Santo Amaro em atividade (1883), e também a Usina Terra Nova (1903), não temos identificados, nas nossas pesquisas muitos comerciantes pioneiros: nas transações da feira; suas casas comerciais; suas tendas de serviços, temos registrado os primórdios do comercio no centro, na feira.

 

 

O Centro

 

 

Na linha férrea, entre a Ponte de Ferro e Caraconha, ficava uma estação ferroviária – Ponto Ceen, em princípio construído de madeira, no fundo deste, numa posição perpendicular ficava O Cruzeiro (não existia a igreja de São Roque nessa década). Foi entre esses dois pontos (Ponto Ceen e O Cruzeiro), que se fixou o Centro Comercial de Terra Nova.

 

No meio do Centro tinha um Barracão com cobertura de zinco, e no seu entorno funcionava a feira, de oito em oito dias aos domingos.

 

 

No lado direito do Barracão (sentido da Ponte de Ferro); dando os fundos para o Ramal da usina, ficavam as lojas de tecidos e vendas de molhados identificados alguns proprietários: Pedro Margardes, Januário Bispo, Celestino, Pendeluc, Sabino Capenga – cabelereiro. Tinha mais uma vendinha de Avelino Firmo, na altura do Cruzeiro, do outro lado da linha e de frente para esta.

 

 

Do lado esquerdo do Barracão a loja de tecidos de Pedro Gonçalves tinha uma morada de um gringo chamado Salim.

 

– Aqui só tinha duas ruas, confirmava Paradorá o que Antidio dizia, a rua Chile, com poucas casas, e a rua da Palha.

 

O lado direito, a partir da Ponte – sentido Centro, era somente mato, um brejo, não tinha casas. A primeira construção do lado direito do ramal era a loja de seu Avelino Firmo. [O Ramal era a linha férrea da Usina Terra Nova, que se bifurcava da linha do trem de Santo Amara, uns 50 metros antes do Mercado, e seguia ao longo do Dornel até os Pontos de Cana da Usina].

 

 

– A rua da Palha era assim chamada, por ser as casas cobertas por palha ou pindoba. Começava à esquerda da igreja (na época inexistente) seguindo em direção ao Dornel. A rua acabou porque a usina tinha uma lastreira (local com linha de trilho onde se apanhava terra – lastro) e o barranco foi desmoronando. Hoje ela é a rua Domingos Conceição.

 

 

– Entre essas lojas da feira tinha uma loja maior que funcionava como Cooperativa dos Operários da Usina. Depois a usina construí o prédio (hoje Cesta do Povo), ao lado, fora da área da Feira, inaugurada em 1927.

 

 

Está escrito no verso dessas fotos: Lembrança da Cooperativa Operaria Terra Nova ao seu Digníssimo Diretor Secretário Zacharias West.

 

 

Mais Depoimentos

 

Depoimentos de pessoas falando sobre outras, com quem conviveu, comerciantes ou não. Destacamos entre esses depoentes o senhor Antidio Roque, a professora Leonor Coutinho, dona Jacy Bezerra/ Ana Lucia Bezerra.

Antídio (12.08.15)

 

 

Nasceu em 12 de junho de 1915, falecendo com 101 anos com as restrições físicas da idade mas completamente lucido, e com memoria invejável.

Avelino Firmo– Filho de José Firmo e Dona Bem. Seu Firmo morava com a família na casa onde morou pequenita. Esta era irmã de Avelino Firmo, por parte de pai.

 

 

Filho de Avelino – Dimas- Avelino Firmo Pereira Filho, Vindu – Vindaura, Ademir, Hamilton, Ary (mais 3 filhas.

 

 

Iniciou sua vida de comerciante com uma quitanda vendendo miudezas. 

 

Avelino tinha um irmão, que tinha um problema na coluna (era corcunda), que vendía miudezas na feira e na janela da casa (casa de   Pequenita, três casas a partir da esquina da Quinta Feira, sentido praça); vendia de tudo de prego a alfinete.

 

 

Construiu uma casa próximo a Bida, próximo da igreja, continuando a vender miudezas e tecidos. Tinha uma funerária no fundo, onde ele mesmo fazia os caixões.

 

Bida – Teodoro Lopes, filho de Francisco Lopes.

 

 

Tinha vário irmãos: Bebé Lopes, Henrique Lopes, Laura Lopes.

 

 

Conheci Bida como Fiscal do Armazéns da Usina; trabalhava com Oscar Pacheco (irmão de Dr. José e Dr. Américo), que era Gerente da Cooperativa.

 

 

Depois botou, em parceria com Oscar Pacheco, no local onde Seu Lotas também teve armazém (hoje pertence a Siri). Separaram-se e Bida construiu o armazém que por sua morte passou para o sobrinho Babá e hoje propriedade de sua viúva Dona Doralice.

 

Pedro Gonçalves Tinha uma loja (mais ou menos entre 1925 e 30) vizinha à Cooperativa (Cesta do Povo), a loja era recuada em cujo espaço foi construído um chafariz. Sua mulher chamava-se dona Malzira.

 

 

Seus filhos: Pedriles, Ronaldo e mais uma filha. Ronaldo, na semana de Natal, vinha de Salvador trazendo presentes que distribuía as crianças no lado da igreja.

 

Aurélio Cerqueira – Alcancei seu Umbelino, pai de seu Aurélio, era mascate, negociava com tecidos. As mercadorias eram carregadas por animais ou conduzidas em malas na cabeça do empregado (burro de gringo), eu tinha uns 10 anos.

 

 

Depois que terminou com esse comércio, botou uma loja na esquina da praça [hoje uma igreja protestante]. Essa loja passou para seu Aurélio que aumentou para secos e molhados.

 

 

Depois é que passou a vender por atacado. Chegou a ser representante da Vinícola Rio-grandense; recebia os barris de vinho em Salvador e distribuía para Alagoinhas, Feira de Santana. Em Terra Nova distribuía engarrafado. Chegava em Santo Amaro em navio.

 

Oscar Pacheco – Filho bastardo de dotou Américo.

 

 

Era gerente do Armazém (Cooperativa dos Operários).

 

 

Abriu um armazém com seu Bida. Quando terminou a sociedade com Seu Bida, construiu um com seu irmão Almir Pacheco, um armazém no Dornel chamado Sete Portas [provavelmente daí é que derivou a rua sete Portas]. Esse Armazém era composto por uma farmácia, uma padaria e um armazém de molhados, Almir era farmacêutico.

 

Tomazinho – filho de Felipe Acácio e de dona Laô  (Laura).

 

 

Irmãos: Dona Laura (esposa de Nezinho Osorio), Tintim – Manoel Valentim Acácio, Dedé, Dulce, Mariazinha, Dague, Baba – Braulino Acácio, Toninho Acácio.

 

 

Comerciante – Começou como alfaiate. Ficava junto a hoje farmácia, vizinha a alfaiataria de Belarmino.

 

 

Foram seus oficiais: Arranha Céu, Zé Badalo, Piroquinha, Tintim.

 

 

Transferiu a alfaiataria, para casa que se tornou loja (imóvel ainda hoje existente que dá a frente para o lado do Mercado).

 

 

Mesmo sendo uma alfaiataria, Tomazinho trazia corte de pano de boa marca, costurava para seus fregueses; dividia em cortes para vender. Trazia de Salvador camisas prontas e vendia na alfaiataria.

 

 

Terminou com a alfaiataria, tornando-se lojista. A loja de tecidos funcionou no mesmo imóvel que foi a alfaiataria.

 

 

Abriu, também, no Jacu uma loja de tecidos.

 

 

Lotas – Leovigildo Assis Silva, veio de Irará trazido por Abdias (um alfaiate).

 

 

Seu Abdias tinha uma alfaiataria num espaço dentro do cine Brasil, trouxe Lotas para trabalhar com ele, tempos depois seu Abdias deixou a alfaiataria, e Lotas passou a ser o dono.

 

 

Lotas trouxe os irmãos Coló e Zé (alfaiates), em seguida Maurilio, que era sapateiro.

 

(Zé da Renda – José Fiuza, irmão de Mundinho da garage, cobrava uma taxa pelo arrendamento de terreno, nas terras do dotou Américo Pacheco, situadas em Terra Nova Velha (logo depois da Estação, até onde hoje é a porteira da fazenda de Roque).

DONA LEONOR

 

Professora Leonor Coutinho, 98 anos.

Alice professora, Filha de Avelino Nogueira, morava em S. Caetano.

 

 

“Fui estudar em Terra Nova, mas a professora não era Alice, era Conceição. Eu morava em Camurugipe em 1927 fomos para Terra Nova. Saímos em 1930. Estudei um ano com Conceição e outro com Alice.

 

 

Aloísio Souza – Filho de Seu Rosalvo eletricista da usina. Tinha duas irmãs: Morena e Linda. Linda trabalhava no escritório da usina.

 

Anísio Conceição– Casado com Dona Mocinha, não tinha filho. Trabalhou em S. Bento como escriturário. Seu Anísio era escrivão de paz. [Instalou em São Bento uma Biblioteca – Castro Alves, parte dos livros e o Caderno de Controle encontra-se no Espaço Bangüê}

 

Américo Pacheco– Filho de Oscar Pacheco. Tinha uma irmã, Mariá.

 

Antenor Bacelar– Eram três irmãos: Antenor, Joanito e Tavinho Bacelar; filhos de Seu João Bacelar. Tavinho era médico formado em 1940 e foi para Minas. Sua ida para Minas foi fugindo do casamento com a filha de Dr. Herondino; da relação gerou Heron.

Jacy Bezerra/Ana Lucia Bezerra (06.08 2015)

Dona Jacy Bezerra, aposentada coordenou o Instituto Mauá, 96 anos.

Bezerra – Antônio Queiroz Bezerra, filho de João Mendes Bezerra e Raquel Mendes Bezerra, natural de Coração de Maria, nasceu em 02/12/1910.

Chegou em Terra Nova por volta de 1940, viúvo com três filhos.

Sua primeira atividade profissional foi de dono de bar Brasil que tinha além de venda de bebidas e petisco, e mesa para jogo de bilhar.

O bar era frequentado pela juventude local em decorrência da jogatina e do cinema, que funcionava na parte superior, de propriedade de Seu Dantas

Após alguns anos casou-se Sra. Jacy (Hermelina) com quem teve 5 filhos.

Continuando com sua atividade adquiriu um caminhão e foi o 1º meio de transporte para Feira de Santana, onde a população local se utilizava para viagens e compras, para suprir o comércio de Terra Nova.

Faleceu com 75 anos (1985) súbitamente.

Albertino Queiroz – era gêmeo, trabalhou na cooperativa local, casou-se com Nilce filha do único dentista, Dr. Herondino.

Teve 4 filhos. Mudou-se para Salvador onde viveu e colocou o filho para estudar. Faleceu na década de 90.

Alcides – Chegou em Terra Nova casado com filhos após formar-se em dentista. Trabalhou na profissão junto a Usina Terra Nova, mudou-se para Salvador

Alemão – Filho de Luiz Teles de Menezes e dona Al..

Foi casado com Mirian. Trabalhou na Usina Terra Nova e depois na Petrobras em Mataripe; costumava andar vestido de terno branco de linho e sapato de duas cores.

Morreu de acidente no trabalho ao ser atingido na cabeça por uma bola de ferro. Era conhecido por sua alta comunicação nos locais, era contador de casos.

Alice Nogueira – Professora, foi diretora de colégio, é nome de escola em Terra Nova. Era altamente exigente no ensino e usava recursos da época para aprendizagem como uso de palmatórias, réguas e castigo- ajoelhar e prisão.

 

Aloísio Souza – Filho de seu Rosalvo e dona Senhora. Casou com a professora Belanice. Trabalhou no escritório da usina.

Antenor Bacelar – Fazia parte da juventude terranovense que frequentava festa e jogatinas. Era coletor e fazia carteira de trabalho. Foi casado com a filha de seu Aurélio Cerqueira (Lurdes) e tem um filho- Tuca marido de Marilu. Faleceu mais ou menos e deixou mulher e filhos que vivem em Terra Nova.

Antoninho da Estação – Pai de Lourival ex-prefeito.

Foi chefe da estação de trem.

Antônio Caetano – Era dono de um armazém no Dornel. Tinha dois filhos.

Antônio Marôto  – Trabalhava na UTN. Era comunicativo, gostava de festa, onde par constante de dança com sua mulher Bade. Tinha uma filha. Na sua casa comemorava a festa de Santo Antônio, 13 de junho, com reza (novena) e iguarias.

Antônio Pequeno – Marido de Zilda. Foi vereador por Terra Nova na cidade de Santo Amaro. [ Era funcionário municipal, cobrava os impostos dos feirantes e do comércio]

Colocou o Centro Telefônico. 

Antônio Sapucaia – Só tinha filha mulher. Tocava violão e gostava de festas e bebia muito (socialmente).

Artur Inácio – Marido de Niêta. Natural de Nazaré da Farinhas. Trabalho como sapateiro.

Com a construção do Hospital de Terra Nova veio para cá e trabalhou como auxiliar de enfermagem. Posteriormente trabalhou como secretário municipal, desde a fundação da cidade de T.N [emancipação] tendo como prefeito Luiz Teles até sua aposentadoria. Foi vereador.

Artur Pacheco – Era fazendeiro, trabalhava na sua propriedade. Foi vereador por Santo Amaro e Terra Nova. Era casado tinha 2 filhos [3] e tinha uma segunda mulher Antônia com quem tinha vários filhos.

Aurélio Cerqueira – Nunca casou oficialmente, mas tinha uma filha.

Era considerado o homem mais rico de Terra Nova. Tinha um escritório onde centralizava seus imóveis: armazém de cereais, salgadeira- curtume de couro de boi.

Terra Nova Velha

Ao contrário da terra da Pojuca, Terra Nova Velha não começou nem deixou nada que um registro a identificasse, aliais lá nunca teve escola, um posto, um cemitério, nada que fosse público, para ter o seu nome.  O nome vem dessas coisas que o povo vai repetindo, e que o tempo se encarrega de perpetuar

Não sabemos quando começou, mas deduzimos que foi antes da abolição (1888), quando começou a se falar de usina e de ferrovia, e tanto um como o outro projeto trouxeram para si o nome terra nova. A usina foi batizada de Terra Nova e a estrada de ferro denominou a estação de Terra Nova. Além desses fatos, as terras do engenho Terra Nova, se estenderam, em função de herança ou aquisição de outros engenhos, ultrapassando as margens do Pojuca.

Com isso os limites das terras do engenho se estenderam, englobando o povoamento existente no lado direito do Pojuca bem como o povoamento do lado esquerdo, tornando tudo numa Terra Nova só. Assim as antigas terras confinadas do engenho, as terras do velho engenho, foi batizada de Terra Nova Velha, deduzo.

Dentro dessa área confinada, é que ficavam as sedes das fazendas herdadas por Américo Pacheco Pereira e José Pacheco Pereira Filho e uma casa de avarandado de Roque Pacheco Pereira, irmão por parte de pai, dos dois fazendeiros.

Tinha além das sedes da fazenda pequenas casas dos trabalhadores que chegava a ter nomes próprios, como Bião, Rua do Cruzeiro, mas sem nenhum ponto de comercio.

No tempo presente TNV, para as pessoas mais jovens, começa um pouco adiante da ponte, como se fosse um bairro. Nos anos 30 e por muito tempo seu início ficava a uma ou duas casas depois da Estação Terra Nova, era com se esta indicasse o limite de Terra Nova com Terra Nova Velha.

Terra Boa

Essas nossas abordagens sobre: Terra Nova do Pojuca, Terra Nova Velha, não tem por base provas documentais, não servindo, portanto, de fonte de pesquisa histórica. A intenção é trazer para a área de leitura um texto sobre aquilo que ouvi e que achamos interessante. 

Já Terra Boa, que por um período identificou o antigo povoada de Terra Nova, tem sua razão de ser: como; quando e porquê.

As duas primeiras fotos, ainda se identificam a antiga estação ferroviária – Estação Terra Nova e a plataforma da estação; as duas últimas mostram a Casa do Agente, no alto pintadas, em épocas diferentes uma de amarelo e a outra de ver.

Cooperativa dos Operários

Cine

Cemitério

Uma visita à Feira de Terra Nova

Nas terras do Engenho Terra Nova, ano 2008

Em Terra Nova, farinha a litro

Esse foi o caminho que conseguir percorrer pelas terras Novas.

Esperamos, que, de alguma forma, esse nosso pensamento sirva de incentivos para outros caminhantes buscarem outras conclusões.

 

Junho de 2017, Viraldo.